Inteligência Artificial ganha força no combate à epilepsia: estudo revela que computadores são tão precisos quanto especialistas no diagnóstico

Pesquisa coautorada pelo professor João Brainer, do Departamento de Informática em Saúde, mostra que programas de computador conseguem ler exames cerebrais com mais consistência que humanos, o que pode ajudar a suprir a falta mundial de médicos neurologistas

A epilepsia é um problema de saúde que pode afetar cerca de 10% da população em algum momento da vida. O principal exame para diagnosticar essa doença é o eletroencefalograma (EEG), um teste barato e seguro que mede a atividade elétrica do cérebro. O grande desafio, no entanto, é que a leitura desse exame é bastante complexa e faltam médicos especialistas (os neurofisiologistas) para analisá-los em grande parte dos hospitais e clínicas pelo mundo.

Para tentar solucionar esse gargalo, um estudo recente publicado no Journal of Biomedical Informatics decidiu testar se a tecnologia pode ajudar. A pesquisa, que conta com a liderança e coautoria do professor João Brainer Clares de Andrade, do Departamento de Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), comparou a capacidade da Inteligência Artificial (IA) com a de médicos especialistas na hora de ler e diagnosticar o exame de EEG.

A equipe de cientistas reuniu dados de três grandes estudos, analisando mais de 9.700 exames, para colocar as máquinas e os humanos à prova usando os mesmos dados.

A máquina é mais estável

Os resultados mostraram que a Inteligência Artificial não apenas deu conta do recado, como apresentou um desempenho superior e mais consistente. A taxa de acerto (medida em termos de sensibilidade e especificidade) da IA foi de aproximadamente 84%. Em contrapartida, os médicos humanos atingiram taxas um pouco menores, variando entre 74% e 78% de precisão.