Desvendando a violência contra a mulher: como a inteligência artificial ajuda a proteger vidas
Novo estudo revela padrões de internações por violência, abrindo caminho para intervenções mais eficazes
A violência contra a mulher é uma triste realidade que afeta milhares de vidas no Brasil, gerando consequências devastadoras para a saúde física e mental das vítimas. Para entender melhor essa complexa questão e buscar formas mais eficazes de combatê-la, pesquisadores do Departamento de Informática em Saúde da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), do Hospital São Paulo (HSP), da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) e da Fiocruz Mato Grosso do Sul realizaram um estudo utilizando o poder da inteligência artificial para analisar um vasto volume de dados do Sistema Único de Saúde (SUS).
O estudo analisou 90.798 internações de mulheres entre 20 e 59 anos registradas no SUS, no período de 2008 a 2023. A equipe de pesquisa empregou técnicas avançadas de aprendizado de máquina não supervisionado, como a modelagem de tópicos e regras de associação. Essas ferramentas permitiram identificar padrões ocultos e conexões que seriam difíceis de perceber por métodos tradicionais.
A análise revelou 9 perfis recorrentes de internação relacionados à violência. O perfil mais alarmante e frequente é composto por mulheres jovens (20 a 29 anos), predominantemente pardas, que chegam aos hospitais em caráter de urgência. Muitas delas são submetidas a procedimentos cirúrgicos e apresentam politraumatismos, lesões torácicas e registros de agressões com objetos cortantes.