Sarampo volta a acender alerta no Brasil: o papel invisível da tecnologia na proteção contra a doença

Com 23 casos confirmados no estado em 2026 e cobertura vacinal abaixo da meta, campanha especial em três cidades da Grande São Paulo coloca a vacina e os dados na linha de frente do combate

O sarampo voltou a acender o alerta no estado de São Paulo. O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) confirmou 23 casos da doença em 2026 — 20 na capital, 2 em São Bernardo do Campo e 1 em Guarulhos. O caso mais recente, registrado em Guarulhos, envolve uma criança que não havia sido vacinada.

Para conter o avanço, o Governo do Estado de São Paulo iniciou, em 3 de agosto, uma campanha especial de vacinação para toda a população de 6 meses a 59 anos que mora ou trabalha em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo — incluindo quem já recebeu a vacina anteriormente. O imunizante aplicado é a tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola.

Na capital, a Prefeitura de São Paulo já disponibilizava, desde 27 de junho, a "dose zero" para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias, após o registro dos primeiros casos na cidade. A dose zero não substitui as doses previstas no calendário nacional, aplicadas aos 12 e aos 15 meses.

Cobertura vacinal 

Por trás do avanço da doença está um dado que preocupa especialistas: a cobertura vacinal insuficiente. Dados preliminares de 2026 indicam 77,5% de cobertura para a primeira dose e 65,5% para a segunda dose da tríplice viral no estado de São Paulo — bem abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde para cada uma das doses.

O cenário nacional e regional reforça a preocupação. Em 2025, o Brasil confirmou 38 casos, quase todos em pessoas não vacinadas, incluindo um surto de 25 casos no Tocantins. Nas Américas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), foram 14.891 casos e 29 óbitos em 2025; somente nos dois primeiros meses de 2026, já eram 7.145 infecções — quase metade de todo o ano anterior. 

Esquema vacinal: veja se sua caderneta está em dia: