Fórum brasileiro de IA e computação de alto desempenho: a universidade, a qualidade dos dados e o real impacto da IA na Saúde

Pesquisador do DIS/EPM  defendeu a integração entre academia e mercado, alertando que o uso da tecnologia na medicina exige impacto clínico comprovado e médicos capacitados

12/05/2026 - Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação — Durante o painel sobre os desafios e oportunidades da inteligência artificial na saúde, no segundo dia do Fórum Brasileiro de IA e Computação de Alto Desempenho, o professor João Brainer de Andrade apresentou uma visão crítica e pragmática sobre o uso da tecnologia na medicina.

Neurologista, pesquisador clínico e docente da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, ele defendeu maior integração entre academia e mercado, com rigor científico para comprovar o benefício real das ferramentas digitais aos pacientes.

O professor destacou a força da universidade pública brasileira, mas criticou o isolamento da academia em relação à indústria. Para ele, o maior custo da inovação hoje não está mais no código ou na infraestrutura, e sim no capital humano capaz de criar e implementar soluções.

Especialista em AVC e terapia intensiva neurológica, João Brainer questionou se as novas tecnologias realmente melhoram o desfecho clínico. Como exemplo, citou os sistemas de transcrição automática de consultas baseados em IA, que reduzem o burnout médico, mas ainda não demonstram impacto consistente em mortalidade, adesão ao tratamento ou qualidade de vida.

Ele também alertou para a formação médica no Brasil e para a baixa literacia digital entre profissionais, fatores que comprometem a qualidade dos dados em sistemas como o DataSUS. Na avaliação dele, o futuro da área dependerá menos da infraestrutura e mais de metodologia, rigor científico e uso qualificado das ferramentas.